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terça-feira, 3 de abril de 2007

Opa! Nada de melancolia

“Eu vivia cheio de esperança
E de alegria eu cantava, eu sorria
Mas hoje em dia eu...”


Já estava se emocionando? Bem, quem se lembrou de Manacéia e da velha guarda da Portela estava certo. Tempos atrás, Marisa Monte se lembrou deles e lhes fez uma belíssima homenagem.
Opa! Nada de melancolia. Comigo é só alegria, inclusive tem até um médico me estudando... É, tentando desvendar a minha fórmula... Ahahah!
Lembrarmos das pessoas que amamos e admiramos, ligar de vez em quando, responder aos seus e-mails ou simplesmente citá-las em nossas preces também pode ser uma ótima forma de homenagem.
Hoje estamos aqui, mas e amanhã? Pense nisso!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Quantos anos você tem?

Enquanto as outras crianças corriam dos velhos, achando-os chatos e mal cheirosos, eu sempre fazia o oposto. Na verdade sempre gostei da velhice.
Não sei se foi pela criação ou se é algo da minha personalidade, mas desde que me conheço por gente sempre apreciei ficar horas conversando com pessoas mais velhas.

Nunca vi chatice nem senti cheiro ruim, mas aprendi sobre política, economia, sobre a sociedade, e principalmente sobre o futuro.
É claro que a maioria das coisas que ouvia deles era senso comum, mas percebia que os discursos tinham um único objetivo, o de me alertar sobre como viver neste mundo.

Nos dias de inverno, quanto batia aquele solzinho gostoso logo pela manhã, lá estavam os velhinhos do bairro debaixo do abacateiro. Minha mãe temia que um abacate causasse um óbito em frente ao seu portão, e insistia para que entrassem para um café.

Durante muitos anos (debaixo do abacateiro e sem óbitos) ouvi várias histórias. Falavam sobre Getúlio Vargas, comentavam a viagem do homem à lua, reclamavam de seus filhos e do período de ditadura que o país enfrentara. Apesar da idade avançada seus corpos eram esbeltos, pois na juventude as coisas não eram fáceis, o trabalho era duro, o transporte era escasso e tinham-se que percorrer longas distâncias a pé.

Nossa! Que saudades. Mudei de bairro, e ao longo dos anos sempre recebia a notícia da morte de um deles. Depois do enterro (a que eu nunca fui) ia visitar os vivos, como forma de consolo. Até que um dia todos se foram.

Podemos aprender muito com quem está disposto a ensinar. Se tivermos interesse em aprender algo, nada mais adequado do que beber na fonte da experiência de pessoas que viveram mais do que a gente.

Uma coisa que aprendi é nunca jogar ninguém fora.

Hoje percebo que não existe velho chato nem mal cheiroso, o que há são pessoas mal-humoradas que, mesmo jovens, aperfeiçoam a técnica e o cheiro desta sua condição. Bem, isso é conseqüência.


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